Nós, estudantes de Psicologia, nos manifestamos contra a ascensão do fascismo e da extrema-direita nas eleições brasileiras de 2026.
A Psicologia não é neutra diante da opressão. O Código de Ética do Psicólogo estabelece, em seu Princípio II, que cabe à nossa profissão promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades, contribuindo para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Defender os direitos humanos não é escolha ideológica: é obrigação ética da nossa formação e da nossa prática.
O fascismo e a extrema-direita historicamente se sustentam sobre o ódio à diferença, a perseguição de minorias, o ataque às liberdades civis e o enfraquecimento das instituições democráticas. Tudo isso produz sofrimento psíquico em escala coletiva e é, portanto, problema da Psicologia.
Essa ameaça não é abstrata. O Senado, a Câmara e as assembleias legislativas foram ocupados por parlamentares cujo discurso é, em si, uma agressão às minorias representativas deste país. Essas falas configuram uma ameaça concreta para você, pessoa LGBT+, mulher, pessoa preta, indígena, idosa, de baixa renda, nordestina. Não importa quem você é, a sua existência está sendo diretamente ameaçada pela extrema-direita. E quando o discurso de ódio veste terno e ocupa tribunas, ele deixa de ser opinião e passa a ser projeto de poder.
O 8 de janeiro está aí para nos lembrar e nós não vamos esquecer. Quando o fascismo se mobiliza, ele não se limita a discursos. Invadiu as sedes dos Três Poderes, depredou o patrimônio público e tentou derrubar pela força a vontade do povo expressa nas urnas. Foi uma tentativa de golpe. Nossa democracia já foi atacada uma vez. Não podemos permitir que isso se normalize.
A crise que vivemos é coletiva, e a resposta também precisa ser. Este manifesto nasce do mesmo lugar que a XLVI Semana da Psicologia FMU: a compreensão de que não existe saúde mental individual dissociada das condições sociais, políticas e democráticas em que vivemos. Defender a democracia, os direitos e a cidadania; enfrentar o isolamento e reconstruir a conexão entre as pessoas; refletir criticamente sobre as subjetividades e como as grandes empresas de tecnologia do mundo (chamadas Big Techs) concentram nossa atenção e impactam nossa subjetividade e interações, tudo isso é fazer Psicologia. Toda psicologia é social, logo toda psicologia é política.
Democracia não é detalhe: é a condição mínima para a existência de uma sociedade em que saúde mental, diversidade e dignidade possam ser protegidas. Sem ela, não há clínica, não há ciência, não há cuidado.
É por isso que o fazer do profissional de Psicologia exige:
- Acolher o sofrimento sem desconsiderar suas raízes sociais e políticas;
- Combater toda forma de discriminação, violência e opressão, dentro e fora do consultório;
- Produzir e divulgar ciência comprometida com a realidade brasileira e com as populações mais atingidas;
- Ocupar espaços públicos, comissões de direitos humanos, políticas de saúde e movimentos sociais;
- Formar profissionais eticamente comprometidos com a democracia e a dignidade humana;
- Denunciar discursos de ódio e práticas autoritárias, mesmo quando vestidos de legitimidade institucional;
- Defender incondicionalmente os direitos humanos.
Por isso, afirmamos:
Não passarão. A Psicologia está do lado da vida, dos direitos humanos e da democracia.
Assinam este manifesto os estudantes abaixo:
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